A Escola de Frankfurt - Luzes e Sombras do Iluminismo

Autora: Olgária C. F. Matos

Fundação: Iniciativa de Félix Weil, 1924.

Sob a influência das análises de Marx e de sua crítica à economia política burguesa, a teoria crítica da Escola de Frankfurt revela a transformação dos conceitos econômicos dominantes em seus opostos:

* A livre troca passa a ser aumento da desigualdade social;
* A economia livre transforma-se em monopólio;
* O trabalho produtivo, nas condições que sufocam a produção;
* A reprodução da vida social, na pauperização de nações inteiras.

Assim, a crítica à razão torna-se a exigência revolucionária para o advento de uma sociedade racional, porque o mundo do homem, até hoje, não é "o mundo humano", mas "o mundo do capital".

Homens livres x Escravos na Antiguidade
Senhores x Servos na Idade Média
Burguesia x Proletariado nos Tempos Modernos

O homem se converte em mero agente da lei do valor.
Essa racionalização destrói a relação direta entre os indivíduos.
Contato direto é o das mercadorias mediado pelo homem.
O homem é transformado e reduzido a estatuto de coisa.

Em Marx e Weber,
* Mercadorias passam a ser ativas e o indivíduo se isola e se fragmenta pelas divisões sociais de trabalho;
* Especialização do trabalho e sua automação reduzem o homem a um apêndice da máquina, fazendo o  repetir o mesmo gesto vazio de significado.

Penso, logo existo - René Descartes
Subverte o sistema de perfeição da Idade Média, colocando como ponto de partida o pensamento, única experiência capaz de resistir às ilusões dos sentidos, aos erros na ciência, ao delírio e à alucinação.

Kant,
Estabelece os limites do exercício da razão no conhecimento da natureza: A razão só pode legislar no âmbito do espaço e do tempo. Apenas os fenômenos são objetos da ciência. Os juízos na ciência pertencem a uma instância lógica - O entendimento, que trabalha com a identidade dos objetos e com conceitos abstratos.

* Afasta o princípio da contradição do terreno da ciência;
* Antinomia, só ocorre quando a razão transgride os limites de sua operação;
A ciência deve renuncias à explicação da existência de Deus, da imortalidade da alma e da liberdade dos homens. Porque essas ideias não se oferecem no espaço e no tempo. Quando a razão teórica pretende explicá-las, cai em antinomias que não podem ser superadas.
* Deus diabólico ou diabo divino, são antinomias, sínteses da razão quando pretende legislar para além dos seus limites, que são os objetos que se oferecem no espaço e no tempo. A compreensão não-contraditória do divino só é possível na moral, campo autônomo com a relação à ciência.

Hegel, 
Considera que as coisas e os seres históricos e sociais não possuem uma identidade permanente, mas se constituem por sua negação interna.

KANT X HEGEL
Kant: 
1. Existe a identidade do conceito de homem, em sua não-contradição;
2. A identidade do conceito de escravo;
3. Só depois o enfrentamento social que define o homem como escravo.

Hegel:
1. O homem enquanto liberdade é negado em sua humanidade por ser escravo; 
2. Carente de liberdade e autonomia, não deixa de ser homem, isto é, espiritualidade;
3. O pensamento negativo, da contradição que não separa sujeito e objeto, natureza e cultura.

Para Hegel, a natureza é a cultura que não se sabe cultura, que ainda não tem consciência de si, não se negou na experiência imediata de ser natureza.

* Processo de constituição da consciência é, também, a história da emergência dos seres culturais;
* A contradição é a dor, o sofrimento, o calvário do espírito;
* As coisas são e não são ao mesmo tempo;
* A criança é o vir-a-ser do adulto; 

Movimento de autonegação é a história do caminho para se chegar ao Absoluto, à plena realização da razão na história, que coincide o fim da história.

* É o passar do tempo como instância de envelhecimento e morte;
* O tempo elimina sua dimensão temporal;
* A vida do Espírito desconhece a morte, contempla o passado, as ruínas e a morte, sem dor.

Marx,
Toma como partida a dialética hegeliana que só considera o Espírito, a Ideia , mas submete a uma transformação radical: No lugar do Espírito está a matéria, as condições reais de produção do homo economicus. A economia concentra a totalidade social porque ela é, antes de mais nada, relação entre os homens que produzem seus meios de existência.

Marx, nas teses sobre Feuerbach: "Os filósofos já interpretaram o mundo, trata-se agora de transformá-lo".

Houve para teoria crítica, queda da teoria em ideologia, conversão em estratégica política, oposto ao trabalho de reflexão.

Adorno observou: "Posto que a filosofia não conseguiu transformar o mundo, cabe continuar a interpretá-lo."

Acreditar na revolução é colocar-se sob a inspiração de Marx e do Marxismo da época. É ter necessidade de se confrontar com seus conceitos fundamentais e sua visão de Mundo.

Conceito por excelência de revolução é o de práxis - a prática social dos homens que são compreendidos como agentes sociais, no sentido em que Marx dizia: "Os homens fazem sua própria história, mas não de maneira inaugural, e sim com condições herdadas do passado."

Conceito de Materialismo - Significa que a matéria não é objeto inerte, mas sim o movimento da história das transformações do trabalho social; nesse conceito se inscreve a história social da produção dos objetos e, ao mesmo tempo, das carências e necessidades humanas em cada época histórica.

Alienus - Aqui que nos é alheio, estranho.
Produtos do seu trabalho não lhe pertencem, mas são o bem de um outro.

Horkheimer: Enquanto o homem viver da natureza, transformando-a pelo trabalho, haverá sofrimento. 
O sofrimento da natureza é trans-histórico. 

- Essa sociedade não reconciliaria definitivamente o homem e a natureza.

Hegel (em Razão e Revolução) uma filosofia da inquietação permanente: "Todo Real é racional, e todo racional é Real."

Horkheimer: Considera o marxismo como herdeiro da Revolução Francesa, do Iluminismo e de sua fé no progresso, estando comprometido a sustentar as "virtudes da razão".

MORAL X AUTONOMIA
Aquele que tem uma outra opinião não apenas é expulso, mas se vê exposto às mais duras sanções morais. O conceito de moral reclama autonomia, mas aqueles que têm na boca a palavra moral não toleram a autonomia. Se alguém merece o nome de traidor é aquele que delinque contra a própria autonomia.

Indústria cultural - Mundo dominado pelo princípio da indiferença; Pensamento de Marx: A indiferença entre coisas e coisas, coisas e homens, homens e homens. O tempo é tudo, o homem não é mais nada, nada mais que a materialização do tempo [...] O homem é a carcaça do tempo. (Miséria da Filosofia).

A sociedade dominada pela racionalidade da ciência e da técnica, isto é, pela ideologia do progresso, é arquivamento do passado, perda da memória, procedimento necessário para que o presente em falso movimento, movimento de mercadorias e não da ação humana, seja tomado como história enquanto tal.

Revolução Francesa - É o terror que faz o povo existir.

O indivíduo contra o totalitarismo - O indivíduo autônomo, consciente de seus fins, está em extinção, em desaparecimento. É aquele que deve ser recuperado.

Filósofos Frankfurtianos, suspeitam da dialética, da ciência e da fascinação marxista pela violência.

Hegel: Não há harmonia possível entre vontade geral e o interesse particular, entre razão e felicidade. (Marcuse) Isso quer dizer que progresso da Razão se faz contra a felicidade dos indivíduos.

A emancipação não é possível em termos gerais. Só há emancipação do indivíduo na medida em que é nele que se concentra o conflito entre autonomia da razão e as forças obscuras e inconscientes que invadem essa mesma razão.

A luta contra a cultura de massa, só pode ser levada adiante se mostrada a conexão entre a cultura massificada e a persistência da injustiça social.

Foram essas concepções Frankfurtianas, que inspiraram uma crítica à política que toma prioritariamente a questão da técnica como dominação.

O direito à cultura é o direito de acesso aos bens culturais, e a compreensão desses bens é o ponto de partida para a transformação das consciências.

O mesmo sujeito que quer impor os fatos de uma realidade melhor pode também representá-la: Entre o pensamento e o ser, entre o entendimento e sensibilidade, entre necessidades humanas e sua satisfação dentro da economia caótica atual, virá a ser em épocas futuras a relação entre a intenção racional e a realização.

O que falta á ciência é a reflexão sobre si mesma. Ex: Em ocupar-se da Lua e não do bem-estar dos homens.

A oposição entre felicidade e razão remonta à filosofia antiga [...] A verdadeira felicidade, a realização das mais altas faculdades do indivíduo, não pode consistir naquilo que se chama na concepção corrente de a felicidade: é preciso procurá-la no mundo da alma e do espírito.

Renunciar à forma estética é abdicar de sua responsabilidade. Abdicação que priva a arte da forma mesma pela qual ela pode criar esta outra realidade no interior da realidade estabelecida: O universo da esperança!

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